Cultura Urbana e a Economia Criativa

A arte urbana sempre me fascinou. O potencial que as cidades e as pessoas têm para passar uma mensagem, mudar o cotidiano. Cresci sendo impactado por essas manifestações. Jovem, tive a oportunidade de conhecer esta linguagem também fora do país e o cenário se repetia, as ruas tinham vida. No entanto, o Brasil com sua diversidade cultural e criatividade faz com que este fenômeno se potencialize.
Apesar da admiração e de muitas ideias, eu nunca cheguei criar minhas próprias experiências artísticas. Mas esta paixão me consumia, até que encontrei na internet uma forma de fazer parte deste fenômeno. Foi então que criei um perfil no Twitter apenas para divulgar os meus achados sobre o assunto. A partir daí, tudo cresceu muito rápido e decidi criar um blog coletivo onde pessoas de diversos lugares pudessem escrever sobre o que estão encontrando de arte pelas ruas. Chegamos ao que somos hoje.
Como todo canal de comunicação, as pessoas são o principal motivo do trabalho desenvolvido e nosso maior prazer sempre foi escrever para aquele público fiel que consome arte urbana de alguma forma.
Ao longo desses quase 3 anos nós criamos muitas parcerias, descobrimos muitos talentos e identificamos oportunidades de negócios para os artistas independentes, Nossa ideia é aproximá-los das empresas, dos governos e da população através da cultura legítima e latente nas nossas cidades.
A cena de arte de rua tem um potencial gigante e nós queremos juntar essas frentes que hoje andam isoladas para produzir, promovendo definitivamente a arte urbana como diferencial positivo e construtivo para a sociedade. São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife, cidades que já são palcos internacionais da arte de rua. Todos nós temos a ganhar!
Este movimento artístico não está nascendo, está evoluindo. E agora com um conceito genuinamente brasileiro. Tudo já acontece há muito tempo, mas com o acesso às novas tecnologias, esses grupos ganharam força, encontraram um público fiel e conseguem se organizar melhor em seus projetos. A impressão de que eles atuam com maior força na internet é uma percepção fragmentada, já que na verdade eles estão produzindo cada vez mais na vida real, fortalecendo este que será um grande mercado da economia criativa.
Em São Paulo, existe a Lei Cidade Limpa, que proíbe as propagandas externas excessivas, extinguindo a poluição visual da cidade. No período da implantação desta lei, enquanto artistas brasileiros do grafite eram consagrados nas principais galerias e museus do mundo, os mesmos tinham suas obras cobertas por uma tinta cinza pelos agentes da prefeitura de SP.
Recentemente, reconhecendo o equívoco da lei e a explosão desta cultura como patrimônio da sociedade, a Secretaria de Cultura abriu um espaço na lei possibilitando que artistas possam solicitar e cadastrar seus pedidos de produção nas ruas, tudo de forma legal e organizada.
Este foi um grande passo para a evolução da cena, já que foi descriminalizado aquele que tem um talento para tornar a cidade viva e positiva. Isso colocará nossa cidade entre as principais produtoras de cultura urbana do mundo, gerando turismo, emprego, renda, desenvolvimento e integração social.
Foto: Painel de Daniel Melim / Pç da Luz - SP
